quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pessoas...

Ah, as pessoas...
Que seríamos sem elas?
Tão acostumados a viver em sociedade...
A promover a cordialidade, a igualdade, a fraternidade...
Somos doutrinados de que devemos sempre fazer o bem...
E seja o que formos fazer, que o façamos bem...

Bem...
Palavra estranha...
O que é bom? o que é bem?
Quando estamos sendo bons ou maus? quando estamos realmente praticando o bem?
Causando o bem?

Sabe, já conheçi muita gente, já tive de conviver com muitas pessoas...
Algumas de bem, outras não...

E, parece tão óbvio, tão lógico...
Que devemos sempre procurar o bem, e nos cercarmos de pessoas de bem.

Mas o que é uma pessoa de bem?
Como identificá-la?
Uma pessoa má é fácil de ser identificada, e suas intenções são na maior parte dos casos explícitas ou já são de alguma maneira esperada...

Mas e uma pessoa de bem?
Como ela é? O que ela faz?
Existem pessoas de bem?

Quando estamos próximos a uma pessoa má, ja sabemos que esta fará algo com o intuito de causar mal, e na maioria dos casos, nos precavemos, nos preparamos...

Mas, quando estamos próximos a uma pessoa de bem, sabemos suas intenções? Nos precavemos? Nos preparamos?
Tá certo, você pode argumentar que se são boas intenções, não há porque nos precavermos, nos prepararmos...
Afinal, realmente, nunca vi alguém falar "Olha, aquele lá vai vir e me dar um presente, um conselho, uma coisa boa, deixa eu já ir me preparando pra não ser pego de surpresa"...
É até engraçado não?
Não nos preparamos, não observamos...
Nesse caso a surpresa é boa não?
E é?

Se realmente, for algo que nos faz bem, é uma ótima surpresa...
Teoricamente, tudo que nos faz bem, é bom, e tudo que é bom, nos faz bem...
Mas, e na prática?

Será que realmente queremos nosso próprio bem o tempo todo?
Ou melhor,
Será que o que cremos ser bom, realmente o é?
E se no meio de nossos conceitos distorcidos, estivermos causando mal ao pensar fazer o bem?
Já pensou nisso?
É uma questão clássica...
Especialmente entre os super-heróis e moçinhos em geral...
Há sempre uma parte da história onde temos uma pausa, e essa questão é deixada no ar...
Na maioria das vezes, sem resposta alguma...
"Serei o vilão crendo ser herói?"

Essa dúvida sempre existirá, pois o que é considerado "bom" é muito relativo...

E não adianta brigar para obter uma resposta...
Uma vez que obtida, será a sua resposta...
Que pode ser diferente da minha...
Mantendo sempre a relatividade...
A dúvida...

O problema, é que algumas pessoas são presas demais a seus próprios conceitos e idéias...
E crêem cegamente neles...
Tentam passá-los adiante...
Praticá-los...
Sem dar espaço para as dúvidas...

Existem, nesse mundo, muitissimas pessoas de bem...
As vezes pode não parecer...
Mas existem sim!
Na verdade, pessoas más é que são raras...
Ou você conheçe alguém que só pensa no mal e em fazer o mal?
Eu não conheço ninguém assim...
Porque implicaria que essa pessoa deseja o mal a si mesma também...
E isso sim, eu nunca vi...

O que vejo, cada vez mais...
São pessoas de bem, pessoas que desejam o bem e a felicidade...
O problema porém...
É que essas pessoas se baseiam em seus própios conceitos e ideais...
Crêem que o bem dos outros...
É o mesmo que o bem delas...

Muitas, inclusive, se sentem bem fazendo bem...
Coisa mais egoísta não?
Fazer o bem, desejar o bem, propagar o bem...
Para se sentir bem?!

O problema com as pessoas de bem, é que estas não partilham da dúvida do herói...
Não param para pensar se realmente o que pensam ser o bem, é o bem...
Mas pior ainda...
É que notei que as pessoas de bem, querem, realmente, sinceramente, o bem...
O bem de si própias!
Sem realmente parar para pensar no outro, nos desejos do outro, no ponto de vista do outro...

Eu descobri, em resumo...
Que pessoas de bem...
São o pior tipo de pessoa.
São as mais más!

Irônico não?

Pare pra pensar nisso...
Você realmente está fazendo o bem?
Se está...
Pra quem o está fazendo?
Por quê?
Para quê?



Sabe, eu já desisti há muito de tentar...
De buscar...
Dizem que sou uma boa pessoa...
Que sou bom...

Não sei se sou...
Sei que não busco ser.

Eu sou apenas eu...
E faço o que EU acho certo...

Sempre me deixando o privilégio da dúvida...
A dúvida de que não sei, nem poderia saber, os resultados de minhas ações, de minhas palavras, de ser quem sou...
Dúvida se o que estou fazendo seria bom ou ruim...
Certo ou errado...

E é a certeza da dúvida que me permite ser assim...
Livre.
Eu não sei os resultados de meus atos...
E também não busco resultados específicos...
Porisso, sou livre para agir...
Sem me preocupar se estarei sendo bom, ou mal...

As vezes sinto que fiz algo bom, ou que fiz algo ruim...
Isso é normal...
Tendemos a julgar...
Mas é importante relembrar...
Que as vezes o maior bem que fiz a alguém ou ao mundo...
Pode ter sido quando achei que estava sendo mal...


Ou não...

2 comentários:

  1. Para tantas coisas vale-se a "Teoria da Relatividade". Somos seres dualistas, ímpares, singulares. Cada qual com seus pensamentos, acepções, conclusões e inquirições...
    Mas acredito em uma verdade que relata sobre a própria verdade, muito bem explicitada por Nietzsche:
    "Não há fatos eternos nem verdade absoluctas"; "Não existem fatos, apenas interpretações."
    Logo, o conceito de bem ou mal possui inúmeros aspectos que depende diretamente dos interlocutores ou observadores alheios.
    Essa é uma realidade intrínseca no cerne das relações: Ser bom ou ser ruim.
    Partindo de um dos princípios não tão contemporâneos, ser bom é seguir regras que são estipuladas para se ter uma postura adequada e correta na sociedade. Agir segundo costumes e tradições.
    Na verdade estou sendo ponderada nas palavras, mas acredito que muitos limites impostos acerca do que é bom ou mal privam-nos de ser livres. E será mesmo que agir de um modo considerado como coerente e sensato para a sociedade é sempre algo bom, mesmo que nos prive de sermos nós? Claro que todo bom modo exige equilíbrio, mas dentre essas imposições de "ser e de agir" existe também a dissimulação. E onde esta se enquadra?
    Não podemos nos eximir da questão de que somos seres situacionais, movidos tantas vezes por forças maiores que nós, e estamos sujeitos ao erro. Errar é algo ruim, pois o erro incita a pensar na imprudência de reflexão de antemão, mas o erro nem sempre é ruim. Imagine se o tempo todo fizéssemos tudo da maneira correta e previsível? O mundo seria perfeito e não existiria a dúvida, o desafio, o crescimento, e tudo seria permanente. Isso sim seria mal.
    Mas tudo isso pode ser considerado de maneiras ilimitadas, pois a capacidade de interpretação humana é infinita.
    A realidade é que o homem busca explicações,e quer desvendar as incertezas que o aturde, o deixa inseguro, e distinguir o bem e o mal é um dos desafios intérminos do ser humano.
    Claro que existem muitos fatos óbvios que declaram a nocividade alheia, também fatos que anunciam a bondade, mas não temos o poder de o tempo todo decifrar quem é quem.
    Cabe à nós municiarmos de nossas próprias conclusões, sem deixar de lado a reflexão, a introspecção, pois "As convicções são inimigos mais poderosos que as mentiras." (Nietzsche).

    Para concluir termino com uma frase de Oscar Wilde:

    ‎"As boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram qualquer coisa foram as que não tiveram intenção alguma."


    Beijos,
    Najla

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